Gosto da poesia que brota naturalmente, inesperadamente. Dos olhos, da boca, das mãos, do papel, do instrumento, de onde a gente nem imagina. Da poesia que nasce porque é.

Estou há um mês trabalhando numa escola no estado de São Paulo, onde faço estágio e curso formação de professor. A escola é enorme, com um número enorme de funcionários e alunos, que convivem diariamente das 7 às 19, cada um na sua função, como uma boa comunidade. Tudo funciona muito bem, para os padrões das escolas brasileiras normais, e para isso todos vivem cercados de regras, escritas ou não, que zelam pela boa convivência, pelo bom aprendizado e, claro, pela boa reputação.
Hoje eu estava lá, me preparando para voltar para casa, mas não sem antes comer um dos croissants maravilhosos que eles vendem na lanchonete, e eu me dirigia para a área onde as crianças desfrutavam daquele momento adorado chamado recreio, intervalo ou pátio, como eles chamam aqui. Vocês conhecem esse momento lindo, né? 15 minutos de pura felicidade: brincadeiras, jogos, lanche, amigos, para deleite das crianças e desespero dos auxiliares.
Então.
Imaginem a cena: eu andando pelo corredor, onde as crianças correm, gritam e são felizes, quando do nada todos somem e um silêncio cai sobre nossas cabeças. Achei que o intervalo tinha acabado, mas continuei andando para o meu croissant.
De repente, eis que eu ouço uma música conhecida. O hino nacional! Tocando bem alto, ressoando pelos corredores e jardins, imponente em sua versão completa. Fui contente andando pela escola cantando o hino (amo o nosso hino) e reparando que algumas pessoas estavam paradas me olhando. Aí reparei que todas as pessoas estavam mesmo PARADAS. Na xerox, na lanchonete, no pátio, todos os funcionários largaram o que estavam fazendo, levantaram e, parados e eretos, acompanhavam o hino nacional. E foi só acabar a música, que a vida, a correria e a gritaria recomeçou, e todos voltaram ao trabalho. Parecia um flash mob!
Não cheguei a ver as crianças, mas descobri depois que elas estavam ao redor da bandeira. Achei muito legal!
Pena que eu soube tarde demais que devia ficar parada cantando respeitosamente... Seria um mico a menos nas minha lista (que já tá bem grande por sinal). Na próxima eu faço direito. :)
Finalmente um livro brasileiro me tirou o fôlego mais uma vez. Há tempos que eu estava de olho nele, procurando na internet pra comprar, checando se o preço tinha diminuído, namorando a sinopse... Ontem eu finalmente encontrei na biblioteca mara do colégio onde estou trabalhando, e tchum, peguei emprestado e comecei a ler no mesmo minuto. Se deixassem eu não parava de ler nunca. Mas como eu tive que parar (muitas vezes), só terminei de ler ainda agora. E já quero ler de novo!
A Adriana Falcão tem esse jeito de escrever que é de encantar qualquer alma sensível. Uma linguagem inventada por ela, cheia de detalhes, de simplicidade, de imaginação, de criatividade, de vida. Um jeito de capturar a gente fácil, fácil.
O primeiro livro que eu li dela foi o "Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento", citado várias vezes nesse blog, em diários e cartas, em conversas digitadas e faladas. Curiosamente, achei essa preciosidade no meio de dicionários de línguas, dicionários aurélio, livros de lingüística e coisas afins. No mesmo dia eu achei outro livro que, para meu atual arrependimento, não comprei quando tive a chance. Mas isso é outra história.
O segundo livro escrito por ela que caiu nas minhas mãos foi "A Máquina", romance curto e lindo, que a Doda me presenteou dizendo que precisávamos ter aquela intimidade com o tempo. Hoje, "A Máquina" (competindo com a "Momo") é um dos meus preferidos e me acompanha nas minhas andanças, pra ser relido de novo e de novo sempre que eu tenho saudade. Já saiu até filme, mas eu não vi não. Prefiro as ilustrações e as imaginações que o livro me dá.
Criticada e devidamente defendida, Adriana lançou há alguns anos "Luna Clara e Apolo Onze", não o terceiro livro dela, mas um dos livros infanto-juvenis mais extensos lançados no país. Com poucas - mas lindas - ilustrações em preto e branco, a história é direcionada ao público infantil que já consegue acompanhar histórias de muitos personagens, e ao público adolescente, que gosta de aventuras e romances, e ao público adulto, que gosta de aventuras, romances e histórias com muitos personagens.
Uma narrativa não-linear, com narrador observador, com diálogos diretos e indiretos, com personagens únicos, que vivem em um mundo cheio de estranhas coincidências. Uma homenagem ao amor perseverante, à amizade perseverante, à individualidade e à originalidade. E uma homenagem bem-feita. =)
Minha cabeça já pipoca com idéias para usar o livro em sala de aula, o Colorindo Sonhos que me aguarde!
Pra quem quiser dar uma olhada, vá até a melhor biblioteca mais próxima, até a livraria mais completa ou acesse o site da Estante Virtual, que oferece o livro a preço de livro usado (porque é mesmo).
E boa viagem! =D